Sempre enxerguei muito mal.
Quando era criança, saía correndo e batia os ombros nas soleiras das portas e meus pais achavam que eu era somente doida e agitada.
Quando atingi idade escolar, a professora da 1ª série chamou minha mãe e disse que era preciso avaliação de um oftalmologista porque eu sentava na primeira classe e ainda levantava para chegar mais perto do quadro negro para conseguir enxergar. Resultado: um par de óculos fundão de garrafa, com 6 ou 7 graus. Além de doida, era quase cega.
O tempo foi passando e o grau foi baixando e estabilizando, mas nunca pude abandonar os óculos, não me adaptei com lentes e meu problema não tinha cirurgia.
Uns dois anos atrás o médico disse que depois dos quarenta ia começar a ter dificuldade de enxergar perto também. Concluí que se não vou enxergar nem longe e nem perto, deve ser o começo do fim.
Pois que semanas atrás já senti os primeiros sintomas; olhei-me no espelho e vi um pêlo pra tirar na sobrancelha, peguei a pinça e coloquei os óculos e voltei pra tirá-lo e não estava mais lá. Ué! Tirei os óculos e enxerguei de novo. Conclusão: de perto enxergo melhor sem os óculos. A sensação foi muito estranha, parece que colocaram outros olhos no lugar dos meus!
Mais recentemente levei o tiro de misericórdia. Fui ver a validade na embalagem de um produto e não consegui, aproximei a embalagem dos olhos e piorou, estiquei um pouco o braço e vi claramente os números. Dei um grito na cozinha: SOCORRO ESTOU FICANDO VELHA!
Por enquanto meu braço tem um tamanho bom, daqui a pouco vai faltar braço!
Se for ao médico, ele vai receitar um tal de óculos multifocal. É a treva!
Os que já passaram por isso sabem muito bem tudo o que estou sentindo... É bem desagradável. Aos outros aconselho não rir, porque ainda não inventaram o elixir da juventude!
Diz o ditado que “o pior cego é aquele que não quer ver”, porém, “o que os olhos não vêem o coração não sente”... Aguardemos os acontecimentos...
Beijocas
Claudia Pelissoli