Não se fazem mais avós como antigamente... Ainda bem!
Quem era a avó? Aquela senhora idosa que ficava intercalando a cadeira de balanço com a cozinha e a horta?
Que estava sempre em casa fazendo tricô, crochê e bordados ou cozinhando quitutes que só ela sabia fazer?
Que usava roupas mais largas, chinelo de pêlo e mantinha os cabelos brancos num coque?
Nós nos lembramos dessa figura, nossos filhos já ouviram falar, nossos netos não saberão que ela existiu!
Hoje em dia ela é outra pessoa: o máximo de trabalhos manuais que sabe fazer é pregar um botão (talvez).
É atualizadíssima, pois lê jornais, revistas, usa a internet, tem e-mail e facebook.
É aposentada, mas está longe de ser inativa: estuda, faz cursos, ginástica, tem várias atividades marcadas todos os dias, namora, dança... Querem que ela fique com os netos sábado à noite? Só se não tiver compromisso, o que é difícil, então agende com bastante antecedência.
Cozinhar pra quê? Comer fora é bem mais barato e, além disso, ela se cuida, não quer engordar, evita frituras e doces, é a rainha da salada e não duvide se tiver menos celulite que a neta adolescente.
E ela gasta muita grana: investe em roupas, acessórios, calçados, maquiagem, tratamentos de beleza, cirurgias plásticas, viagens... E sabe dirigir, e tem seu próprio carro. Cabelo branco? Nem pensar, salão de beleza de quinze em quinze dias resolve este probleminha.
É claro que existe a figura do avô, mas ela não depende dele, aquela avó submissa já morreu. Até porque em 90% dos casos ela que fica viúva e dona do campinho. Não sei por que eles insistem em partir na hora boa de aproveitar a vida.
Essa é a avó moderna, uma pessoa bem resolvida, que insiste em ser feliz e participante de tudo: bem que ela faz. Afinal de contas, como dizia uma propaganda antiga de absorvente: incomodada ficava a sua avó!
Agora eu pergunto: como será a avó do futuro?
Beijocas
Claudia Pelissoli
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