Porque a notícia ruim se espalha como fogo em palha e a boa não?
Numa cidade pequena como a nossa isso é mais visível ainda. Esses dias
me ligaram noticiando o falecimento da mãe de uma amiga; imediatamente liguei
para mais três amigas e combinamos até a hora que íamos ao velório! Cada uma
dessas três ligou para mais umas tantas e a coisa se espalhou facilmente na
velocidade da luz. Poucos minutos depois ligaram de volta dizendo que era
engano: os nomes eram parecidos, mas não se tratava da mesma pessoa. Imaginem a
confusão que isso deu? Já tinha gente chorando e a “defunta” bem sentada
olhando a novela! Se a notícia fosse
boa, ninguém tinha ficado sabendo.
Têm mães que não pregam os olhos a noite toda enquanto os filhos estão
na rua, nas festas... Pura perda de tempo! Se algo ruim acontecer com eles, o
telefone toca poucos segundos depois. O pior é que no outro dia os filhos
dormem o dia todo e elas estão acordadas com cara de ressaca fazendo suas
tarefas. Não perco meu sono com isso, apenas dou as recomendações de sempre,
rezo pedindo a Deus que os proteja e durmo feito uma pedra!
Se alguém se acidenta feio e se quebra todo, a notícia corre
quilômetros, é uma comoção geral; quando o sortudo sai do hospital saudável e recuperado,
ninguém noticia e demonstra felicidade.
Quando um casal resolve casar pouca gente comenta, mas se o mesmo
casal se separa vira celebridade instantânea: a vida deles é esmiuçada para
descobrir os motivos da separação, inventam mil histórias, até quem nem os
conhece quer saber os detalhes sórdidos!
Uma pessoa ou uma empresa pode ser profissional nota mil décadas a
fio, mas se der um passo torto, um deslize qualquer sem querer, o que é
absolutamente normal... Meleca: o trabalho excelente de uma vida toda é
esquecido e prevalece o rótulo negativo.
A notícia ruim dá mais ibope, se espremer a televisão e os jornais sai
sangue. Notícia boa não atrai expectadores, é que nem os três minutos de
intervalo comercial, a gente levanta e vai fazer alguma coisa.
Aposto que se o título deste texto fosse notícia boa, poucos leriam...
Beijocas
Claudia Pelissoli
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