sexta-feira, 5 de abril de 2013

Comparando filhos




Tenho três filhos, dois guris e uma guria. É impressionante a diferença de um para o outro, todos criados juntos, no mesmo sistema.
Além da diferença entre os sexos, tem as diferenças de gosto e de gênio.
Os guris simplificam tudo, nada tem detalhes: nem nas histórias, nem nas escolhas, nem nas atitudes. Tem que adivinhar ou perguntar cem coisas para obter meia dúzia de respostas. Vivem com uma prateleira de roupas, incluindo todas as estações do ano e o melhor: não querem mais do que isso! O humor é congelado, ou sempre bem humorado ou sempre carrancudo. Eles se subdividem em mais e menos independentes.
A guria não simplifica nada. É tudo abarrotado de detalhes: nas roupas, nos calçados, nas bolsas, no cabelo, na maquiagem, no quarto, no vocabulário e na vida. Se estamos falando de vestido: é curto, é longo, é liso, é estampado, é justo, é solto, é com manga, é sem manga... Elas precisam de muito espaço e muito tato. Um dia é uma felicidade irradiante, no outro um inferno astral. Mas independência sempre.
Os meninos deixam tudo para a última hora, e se der para desistir, melhor ainda. A frase predileta é “não dá nada”.
A guria se escabela horas antes de um acontecimento, envolve meio mundo numa série de atividades paralelas e não fica pronta nunca.
E os pais no meio da muvuca. A mãe (mulher polvo) apavorada que tem que fazer isso e aquilo e o pai (também guri) esperando o último minuto.
A casa de vocês também é assim?
Os pais que só têm guris, não sabem a despesa que se livraram, em compensação, coitada da mãe pra ver tudo funcionar em tempo (ela é o centro de tudo).
Os pais de somente gurias tem uma despesa bárbara (inimaginável), mas uma casa mais cheia de vida e barulho o resto da vida, afinal, geralmente é o namorado que se enfia na casa da namorada, e não o contrário.
Essa é a verdadeira comédia da vida privada.
O amor e a preocupação por eles são os mesmos sempre.
Mil beijocas
Claudia Pelissoli


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