Semana passada completei 43 anos de
idade, essa data me deixa perturbada nos últimos tempos.
Todos os anos, na época do meu
aniversário faço um balanço geral da vida, analiso meus
planejamentos, refaço planos, traço novas metas. Estou com mania de
administração.
E fico divagando... Quase viro poeta
de mim mesma... Este ano o que martela na minha cabeça para escrever
é assim:
Embora não te veja e ninguém saiba
da tua existência além de mim, sinto-me privilegiada em saber que
tenho um porto seguro para recorrer em qualquer época da vida, um
ombro amigo que poderá tanto me elogiar como me repreender, dar ou
pedir conselhos, numa sintonia incomum até a idade avançada, até o
último sopro, assim espero.
És a ponte que liga a minha juventude
à vida adulta. Uma sombra seguindo meus passos incansável ano a
ano, mesmo sabendo que não posso, nem quero retornar. Mais que
irmão, menos que amor, mas com muita importância. Qualquer homem ou
mulher teria inveja desse apego, porque poucos conseguem alcançar a
total presença, na completa ausência.
Há mais nas entrelinhas do que no
texto da vida, cenas que não se apagam, palavras que não precisam
ser ditas, sentimentos que ultrapassam várias vidas...
Ainda bem que nada se perde, tudo se
transforma! A vida tem um curso e sigo conforme meu coração indica.
Com amor, as coisas vão acontecendo, as conquistas vão aparecendo,
e os anos vão passando. Mas tudo é muito rápido, os anos passam
ligeiro demais... Às vezes dá um medo...
Obrigado por estar sempre perto e
invisível, provocando desequilíbrio, ao mesmo tempo fortalecendo,
alimentando meu ego, ensinando a dar valor a tudo que tenho,
incentivando a dar o meu melhor em tudo sempre. A idade não é nada,
é um número que mede a vivência, mas, quanta gente mais velha sem
conteúdo? Nós dois lutamos contra isso.
Espero nunca sentir saudade de ti, meu
EU interior.
Mil beijocas
Claudia Pelissoli
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